This website uses cookies

Read our Privacy policy and Terms of use for more information.

O garoto tinha 7 anos… a boca seca de tanto apertar o maxilar e uma máquina de bolas de tênis apontada pra ele no quintal de casa.

O pai construiu o aparelho com peças improvisadas em uma casa em Las Vegas e a chamava de Dragão (não chamou de "lançador de bolas" nem de "treinador"... chamou de Dragão. O homem deu nome épico pro próprio abuso e ninguém achou estranho).

O Dragão disparava bolas mais rápido do que qualquer criança deveria devolver.
O garoto batia 2.500 bolas por dia… (a maioria das pessoas não faz 2.500 de nada por dia, exceto olhar o celular.)

Ele não fazia isso porque amava tênis…

Aos 21, Andre Agassi era o número 1 do mundo.

8 Grand Slams, 60 títulos, patrocínios milionários…
O rosto mais reconhecido do esporte e na primeira linha da sua autobiografia, publicada em 2009, ele escreveu a coisa que ninguém esperava ler:

"Eu jogo tênis como profissão, apesar de odiar tênis."

Desde criança… desde as 2.500 bolas no quintal de Las Vegas…

O número 1 do mundo nunca escolheu estar ali

O mundo olhava pra Agassi e via um homem que queria vencer, mas o que existia era um garoto que nunca tinha escolhido estar ali. O pai decidiu que ele seria campeão antes dele saber amarrar o tênis.

E quando você cresce dentro de uma decisão que não foi sua, ela gruda no corpo como se fosse sua e você passa a vida inteira sem perceber que está correndo numa direção que outra pessoa apontou.

Com 30 anos de atraso o pai nunca achou suficiente (8 Grand Slams… a maioria dos pais comemora quando o filho come brócolis sem reclamar).

Agassi venceu tudo, e a cada novo troféu, sentia o que ninguém espera sentir depois de ganhar um Grand Slam: cansaço.
Não o do corpo, porque esse ele conhecia bem, mas o de quem percebe que cruzou a linha de chegada e não reconhece o lugar. Vencer não trouxe o que ele esperava, porque ele nunca tinha parado pra se perguntar o que esperava de verdade.

O troféu não era dele, era do pai.
Agassi passou 30 anos correndo atrás de algo que ele nunca tinha escolhido, e quando chegou lá, descobriu que a linha de chegada era de outra pessoa.

A pergunta que ficou sem resposta a vida inteira não era "por que eu quero isso?". Era mais simples e bem mais assustadora: "eu quero isso mesmo?"

Inscreva-se para continuar lendo

Este conteúdo é gratuito, mas você deve estar inscrito em Alquimista do Caos para continuar lendo.

Already a subscriber?Sign in.Not now

Reply

Avatar

or to participate

Posts Recomendados

View all
caret-right