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Um dia sentei pra fazer uma conta que eu vinha evitando, do jeito que a gente evita a balança depois das festas. Eu somei quanto tinha gasto em cursos nos últimos 6 meses (quase caí da cadeira 😮). Passou de R$10.000 reais.

R$10.000 reais, em 6 meses, pra aprender a fazer uma coisa que eu já sabia fazer. Cursos que eu achava necessários para ter sucesso na época.

Eu não tava estudando, eu tava pagando, em 12x, pelo direito de continuar não fazendo. Existe forma mais cara de covardia? Bom, eu encontrei, e tenho recibo de todas.

Porque todo curso vinha com uma promessa que não estava na página de vendas: enquanto tem módulo pra terminar, você ainda não precisa se arriscar de verdade.

O módulo 4 não foi liberado… a aula ao vivo é semana que vem...
Não estou parada, estou me preparando. E me preparar (eu descobri) é o disfarce mais respeitável que a paralisia já inventou.
Ninguém aplaude quem trava, todo mundo aplaude quem "ainda está se qualificando".

Eu chamava aquilo de investimento, de diligência, de "não vou me lançar despreparada". Um nome bonito em cima de outro, uma pilha de vernizes e no fundo do balde a mesma tinta de sempre: medo. Mas medo com certificado de conclusão fica bem mais apresentável no currículo.

O outro dia, o que foi o oposto exato desse

O oposto exato aconteceu no dia em que eu pedi demissão. 3 anos de CLT e eu saí com uns poucos meses de reserva na conta e nenhuma garantia de que ia dar certo. Não fiz curso nenhum antes de sair, não esperei o módulo 4, não me qualifiquei mais um pouquinho... só saí!

No começo foi lindo, do jeito que toda decisão corajosa parece linda enquanto ainda tem dinheiro no banco.

Eu acordava leve, escrevia de pijama às 10hs da manhã, me sentia a própria encarnação da mulher que largou tudo pra seguir o sonho 😂. Postava foto com legenda inspiradora… uma gracinha... a conta bancária, essa, não achava tanta graça.

Durou até o saldo começar a descer, aí a coragem trocou de roupa e virou ansiedade, que é o nome que a coragem usa quando a reserva encolhe. Teve aperto, teve mês de fazer conta de padaria, teve madrugada de encarar o teto pensando "e se isso aqui for a maior burrice da minha vida"? (bom, pra quem largou 14 anos de "estabilidade" antes disso, convenhamos, essa dúvida era fichinha).

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