Sabe aquelas reuniões de negócios que têm tudo pra dar certo e dão errado?
Pois é... aconteceu comigo essa semana.
Pense em uma cafeteria gourmet pra empreendedores. Ambiente climatizado, cadeiras confortáveis, iluminação pensada pra fazer todo mundo parecer bem-sucedido mesmo quando não é. O tipo de lugar onde você espera fechar negócio entre um cappuccino e um aperto de mão firme... e sair de lá se sentindo protagonista de filme sobre startups.
Eu e meu parceiro de agência de um lado da mesa e 3 empresários do outro. Eles estavam lançando uma plataforma de networking (mais uma)... vantagens exclusivas, contatos expostos, negócios facilitados. O pitch era bonito… as palavras certas nos lugares certos.
Tudo muito promissor.
Até chegar na parte do dinheiro (óbvio).💰
Eles precisavam de gestão de mídias sociais do zero, biopage, tráfego pago e 3 lançamentos. O primeiro daqui a um mês. Em troca ofereciam uma assinatura anual da plataforma.
Fiz a conta mentalmente... 🤔 R$299 por mês. R$3.588 no ano do lado deles.
Do nosso lado? Pelo menos R$3.000… por mês.
(Pausa pra você fazer a mesma conta que eu fiz e chegar na mesma conclusão que eu cheguei: alguém ali se achava mais esperto que a gente).
Eles ainda não tinham Instagram.
A plataforma ainda não tinha sido validada no mercado.
E queriam que a gente investisse tempo, expertise e energia em troca de "possibilidades futuras de negócios"????
Possibilidades… futuras… 🤡
Tradução: "trabalha de graça agora que um dia quem sabe talvez eventualmente você colha algum fruto, ou não, mas pelo menos vai ter feito networking, né?"
Eu já ouvi essa música antes. Geralmente termina com a gente trabalhando de graça enquanto o outro lado colhe os frutos e agradece com um emoji de joinha no WhatsApp. Ou nem isso.
A reunião durou uma hora e meia.
Uma hora e meia de sinais que meu corpo ia registrando enquanto minha mente educada tentava manter a compostura profissional e não perguntar "vocês estão de brincadeira, né?"
A mulher sentada ao meu lado passava boa parte do tempo olhando pra fora... como se o movimento da rua fosse mais interessante do que a conversa que ela mesma tinha marcado. Talvez estivesse contando os carros. Talvez estivesse planejando o almoço. Vai saber.
Em um momento ela me fez uma pergunta. Respondi contextualizando, como faço sempre porque acredito que contexto importa (erro meu, aparentemente).
E vi a feição mudar.
Aquele micro-desprezo que a pessoa não percebe que faz, mas que meu olhar treinado em interpretar microexpressões faciais não deixou passar.
Eles também mencionaram, umas 3 ou 4 vezes, que outras agências já tinham topado fazer a troca sem cobrar nada.
(Sério que ainda se usa isso pra convencer alguém de algo?🤦♀️).
Se fosse verdade, por que diabos ainda estavam em reunião com a gente? Se já tinham tantas opções maravilhosas, por que gastar uma hora e meia tentando nos convencer?
(Quase que eu perguntei o nome do maluco que topou não cobrar nada, ia mandas algumas edições da newsletter pra ele e pra ensinar a fazer conta).
Mas enfim... seguimos o teatro porque educação é uma droga que a gente toma desde criança.
Toda vez que eu ou meu parceiro contextualizávamos uma resposta, aparecia a impaciência, suspiro curto, olhar trocado entre eles.
Aquela energia de "fala logo o que a gente quer ouvir e para de enrolar com esse papo de profissional que entende do assunto".
Como se explicar nosso trabalho fosse perda de tempo.
Como se o serviço deles valesse ouro e o nosso valesse exposição e gratidão.
E aí veio o grand finale.
