10 de abril de 1994.
Michael Jordan entra para rebater no terceiro jogo profissional de beisebol da carreira com um currículo relativamente aceitável: três títulos da NBA, três MVPs da temporada e três MVPs das finais.
No beisebol, porém, havia um número ao lado do nome dele que tratava todo esse patrimônio intelectual com a delicadeza de um funcionário público às 17h58:
média de rebatidas: .000.
2 dias antes, no primeiro jogo oficial pelo Birmingham Barons, Jordan tinha ido 3x ao bastão e não acertado nenhuma.
Havia 10.359 pessoas nas arquibancadas e 130 profissionais da imprensa acompanhando aquele pequeno evento educativo chamado “vamos assistir ao maior jogador de basquete do mundo descobrir que currículo não rebate bola”.
O primeiro hit só veio na oitava ida ao bastão.
E aí a história faz uma curva interessante: aquele acerto abriu uma sequência de 13 jogos consecutivos rebatendo, com média de .378 no período.
No fim da temporada, Jordan fechou 127 jogos com média .202, três home runs, 51 corridas impulsionadas, 30 bases roubadas e 114 strikeouts.
Para quem entende tanto de beisebol quanto eu entendia antes de pesquisar esta edição: .202 significa que Jordan conseguia uma rebatida em cerca de 20% das idas oficiais ao bastão, algo como um acerto a cada cinco tentativas. Os 114 strikeouts são 114 vezes em que foi eliminado depois de não conseguir colocar a bola em jogo dentro da contagem. Já as 30 bases roubadas mostram que a velocidade continuava ali... o problema era chegar na base primeiro.
Traduzindo sem transformar isso numa aula de ESPN: ele não era um desastre, mas estava muito longe de ser o Michael Jordan do basquete.
Para os padrões de Michael Jordan, o beisebol ofereceu uma experiência quase exótica: ser mediano por tempo suficiente para perceber como alguém deixa de ser mediano.
Ele ficou tempo suficiente para melhorar e, anos depois, explicou o que aquela experiência havia devolvido a ele:
“I was on the pedestal for so long that I forgot about the steps to get to that.”
Jordan tinha passado tanto tempo no pedestal que esqueceu os degraus necessários para chegar lá. Essa frase é um problema.
