Acima de 8 mil metros existe uma faixa que os alpinistas chamam de zona da morte.
O corpo começa a morrer mesmo parado, o sangue engrossa, as unhas ficam roxas e o primeiro órgão a falhar não é o pulmão, é o cérebro.
A mesma pessoa que no nível do mar tomaria uma decisão em 1 segundo, nesta altitude, passa a discutir com o próprio bom senso, exatamente na hora em que mais precisa dele.
Foi exatamente isso que matou 8 pessoas no Everest em maio de 1996…. e não a tempestade!
Rob Hall, guia neozelandês, tinha uma regra que ele mesmo chamava de lei absoluta, sem direito a apelação: às 14:00 todo mundo tinha que descer, mesmo sem ter chegado ao topo.
No dia em que mais precisou dela, deixou uma pessoa passar do horário.
Ficou ajoelhado ao lado dele na neve quando o homem não conseguiu mais dar um passo... os dois congelaram ali.
33 pessoas saíram rumo ao topo à meia-noite, no escuro, respirando por um cano.
As cordas do trecho mais perigoso ainda não estavam presas e o grupo teve que parar, tirar as luvas com os dedos já dormentes, e amarrar tudo na hora, gastando um tempo que já era curto.
14hs chegou e passou, e ainda tinha gente subindo.
Uma das alpinistas pisou no cume às 15:45.
Outro, depois das 16:00, quando o céu já tinha começado a fechar.
Cada um ali tinha meses de treino nas pernas, uma fortuna já gasta na viagem e o topo à sua frente… (que até então só existia em foto na parede de casa, agora visível a menos de uma hora de caminhada). Descer sem pisar nele parecia jogar fora tudo que já tinha sido investido. Ninguém tomou esta decisão com a cabeça fria, decidiram com um cérebro que já estava sendo sufocado por dentro.