“Qual sua meta financeira?”
A pergunta caiu no meio da conversa como copo derrubado em mesa de restaurante. Todo mundo olha e ninguém sabe o que fazer.
Minha boca respondeu antes do cérebro processar: 10 mil por mês.
O número saiu rápido demais. Como se já estivesse pronto, esperando a pergunta certa pra escapar.
10k não era um sonho. Era o meu próximo degrau.
Aquele que você enxerga quando finalmente levanta a cabeça do chão onde está agachado há meses tentando não tropeçar nas próprias pernas.
A conversa mudou de assunto… não lembro pra quê… minha mente saiu dali….
Mas o número ficou.
Grudou na parede interna do meu crânio como pôster do Guns N' Roses da minha adolescência, que ninguém mais visitava mas continuava lá, desbotando devagar.
R$10.000/mês.
E junto, sem pedir licença, veio uma outra pergunta que me travou no meio do pensamento (óbvio né, meu Eu Superior sempre adora me trazer estas perguntas desconcertantes que organizam meu caos interno):
Quem eu preciso me tornar pra ser a pessoa que recebe isso?
Não o que fazer… não qual curso comprar e nem qual estratégia copiar de alguém no Instagram…
Quem eu deveria ser.
Porque ficou claro naquela hora: o que eu fazia de dinheiro naquela época era o reflexo exato de quem eu era.
Meus hábitos, minhas crenças, minhas desculpas favoritas, o jeito que eu reagia quando dava merda ou o jeito que eu me sabotava quando começava a dar certo.
Tudo isso construiu o número que entrava na minha conta todo mês.
Se eu quisesse um número diferente, precisava de uma pessoa diferente.
E a ordem importa.
Imagino que você já tenha definido uma meta financeira… ou qualquer tipo de meta.
Talvez não em voz alta, talvez só na sua cabeça… naquela conversa silenciosa que você tem consigo mesmo às 2 da manhã quando não consegue dormir.
Um valor… uma posição... um estilo de vida.
E você sabe exatamente qual é.
Agora mesmo, enquanto lê isso, o número/meta apareceu na sua mente sem você pedir.
Mas quero te perguntar uma coisa:
Você já parou pra pensar quem é a pessoa que realiza esta meta ou recebe esse valor?
Como ela acorda? O que ela faz nas primeiras duas horas do dia? Como ela reage quando um cliente some, quando um projeto atrasa, quando o dinheiro aperta?
O que ela se recusa a aceitar? O que ela não negocia? Como ela trata o próprio tempo?
Aposto que não.
Aposto que você fez o que todo mundo faz: definiu o número e começou a procurar o que fazer pra chegar lá.
Curso… estratégia… ferramenta… atalho.
Mas nunca se perguntou quem precisava se tornar. Porque essa pergunta não vem com template de Notion pra baixar.
E é por isso que talvez a meta ainda está no papel.
Não por falta de vontade, porque tenho certeza que vontade tem de sobra.
Não por falta de informação... você provavelmente sabe mais do que 90% das pessoas sobre o que deveria fazer (senão não estaria lendo isso).
Mas porque você está tentando chegar em um lugar novo sendo a mesma pessoa de sempre.
Com os mesmos padrões, os mesmos medos, as mesmas desculpas que você já decorou de tanto repetir.
É como colar um adesivo de Ferrari em um carro 1.0 e esperar que ele ande a 200km/h.
O adesivo não muda o motor. E motor não lê adesivo.
E a meta não muda você.
Joseph Murphy escreveu em "O Poder do Subconsciente" que a mente não distingue entre o que você imagina vividamente e o que você vive de fato. Ela responde igual. É por isso que atletas visualizam a vitória antes de competir. O cérebro cria caminhos neurais pro comportamento que ainda não existe.
Mas você usa isso ao contrário.
Você visualiza o resultado, a conta bancária, o apartamento, a viagem, o carro…
E esquece de visualizar quem você precisa se tornar pra merecer essas coisas.
Resultado é consequência… Identidade é causa.
Você está tentando colher sem plantar… e ainda reclama que a colheita tá fraca.
Quer saber o que me pegou de verdade naquela noite?
