Tenho um bambu da sorte há uns 2 ou 3 anos (pra quem não sabe é uma planta).
Ele fica dentro de casa, num pote com água e sempre cresceu muito bem, tanto que começou a ocupar mais espaço do que eu tinha disponível para ele.
A planta tinha planos de expansão e eu não tinha metragem…
Não havia outro vaso nem lugar para colocar um maior, então resolvi podar.
Pesquisei a maneira correta de fazer isso, segui as orientações e pronto.
Algum tempo depois, novos ramos começaram a aparecer... ótimo!
Só que as folhas mais antigas passaram a ficar com as pontas amareladas.
Hummm... talvez a poda não tenha feito tão bem quanto eu imaginava.
A suspeita parecia razoável... antes, as folhas estavam saudáveis, fiz a poda e, algum tempo depois, começaram a amarelar.
Só tinha um detalhe inconveniente: eu não fazia a menor ideia se a poda tinha alguma coisa a ver com aquilo.
Poderia ser a qualidade da água, alguma condição do ambiente, o envelhecimento das folhas... não sei.
Mas imagine que amanhã alguém me pergunte se é seguro podar um bambu da sorte…
Eu poderia responder com toda a autoridade de quem já passou pela experiência:
“Olha, eu podei o meu e as folhas começaram a amarelar... melhor tomar cuidado.”
E estaria contando a verdade! As folhas amarelaram mesmo.
O pequeno problema é que eu estaria usando uma experiência verdadeira para sustentar uma conclusão que nunca confirmei.
(Convenhamos, é um método de aprendizado bastante eficiente: faço uma poda, vejo duas folhas amarelas e já estou praticamente habilitada a prestar consultoria em jardinagem.)
Agora, o mais curioso é imaginar o que aconteceria se eu adotasse essa conclusão como regra. Poderia passar anos evitando podas, recomendando que outras pessoas fizessem o mesmo e acreditando que estava compartilhando uma sabedoria adquirida com a prática.
Tudo isso sem nunca ter descoberto o que aconteceu com a primeira planta.
E quantas outras coisas eu já aprendi desse mesmo jeito, apenas porque nunca me ocorreu desconfiar da lição que tirei?
