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Durante quase 400 anos, ninguém conseguiu ler os cadernos de Leonardo da Vinci.

Não porque estavam perdidos... estavam ali, 13 mil páginas, guardadas, catalogadas, em mãos de colecionadores e bibliotecas.
O problema é que estavam escritas ao contrário, da direita para a esquerda, com as letras invertidas, num código que só se decifra com um espelho ao lado da página.
Gerações de estudiosos olharam para aquilo e viram garranchos sem sentido.

Quando finalmente leram, descobriram o que estava trancado lá dentro.

Um submarino.
Um helicóptero.
Um paraquedas.
Um tanque de guerra blindado.
Uma máquina que fazia contas sozinha, 3 séculos antes de alguém inventar a palavra calculadora.

O homem tinha desenhado o futuro inteiro, com a precisão de quem entendia cada engrenagem, e depois fechou o caderno e foi pintar (que frieza não?).

Quase nada daquilo virou realidade enquanto ele viveu.
Os desenhos ficaram presos no espelho, lindos e inúteis (você já vai entender o porque digo inúteis), esperando uma humanidade que levaria séculos para chegar onde Leonardo já tinha chegado sozinho, sentado a uma mesa em Florença, à luz de vela.

Há historiadores que dizem (e não é exagero) que se Leonardo tivesse publicado aquilo em vida em vez de guardar na própria letra cifrada, a gente já estaria em Marte.

E é aqui que essa história para de ser sobre esse italiano morto há 5 séculos e começa a ser desconfortavelmente sobre mim (e talvez sobre você também).

Porque eu também tenho meus cadernos cifrados. Só que os meus não escondem helicóptero nenhum (óbvio).

Tenho conhecimento guardado suficiente para me trancar num quarto e passar 10, 15 anos só estudando, comendo e dormindo, sem comprar mais nada (isso não é força de expressão não, está mais para um inventário).

Durante anos comprei mais livros que podia ler (já confessei esse vício em edições anteriores). Comprei cursos imaginando a versão futura de mim aplicando aquilo com maestria, uma versão que, por algum motivo, nunca apareceu.

A fatura do cartão, essa aparecia. Todo mês, pontualmente, me encarando linha por linha como quem confere um álibi que não fecha.

Em algum momento eu fiquei mais esperta com o dinheiro (ufa né, tava na hora).
Criei uma regra: bate a vontade de comprar um curso, eu paro e pergunto "preciso disso agora?". Bom, a resposta era óbvia: Não!
Então eu salvo o link numa conversa minha comigo mesma no WhatsApp e sigo a vida.
Se um dia precisar de verdade, está lá, guardado, sem ter custado um centavo. É uma boa estratégia… me economizou muito dinheiro na real.

Foi então que eu fiz uma conta de verdade, não em número, mas em custos…e é aí que o chão some um pouco.

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