A Bolha!
Hoje, voltando da academia, tava pensando em um vídeo pra gravar… e pensando em consequências do assunto do tal vídeo percebi que talvez eu esteja vivendo numa bolha.
(O que seria compreensível se eu fosse uma pessoa completamente alheia ao mundo, mas fica um pouco constrangedor para alguém que passa boa parte do dia lendo, pesquisando e tentando entender como as coisas funcionam).
A bolha que me inseri é de IA.
Eu uso todos os dias, acompanho as novidades e vejo tanta gente discutindo ferramentas, modelos e atualizações que comecei a sentir aquela agradável sensação de estar ficando para trás.
Aparentemente, não basta acompanhar uma revolução tecnológica, é preciso acompanhar a velocidade com que os outros dizem estar acompanhando.
Até encontrar uma pesquisa da Microsoft mostrando que apenas 18,8% da população mundial em idade ativa utilizou IA generativa no período analisado.

Eu estava preocupada em ficar para trás de uma humanidade que, em sua imensa maioria, sequer aparecia naquela estatística.
(convenhamos, é um talento considerável conseguir transformar uma atividade ainda minoritária numa competição mundial dentro da própria cabeça.)
Mas o número me incomodou por outro motivo...
Se minha percepção estava tão distante da realidade num assunto que acompanho diariamente, em quantos outros assuntos eu poderia estar cometendo o mesmo erro?
E, pior, quantas opiniões eu já defendi com a segurança de quem conhece o mundo, quando conhecia apenas o pequeno pedaço dele que costumava frequentar?
É um questionamento profundo e longo…
Uma humanidade muito conveniente
Em 1977, três psicólogos, Lee Ross, David Greene e Pamela House, investigaram uma tendência curiosa do comportamento humano: a facilidade com que superestimamos o número de pessoas que pensam, escolhem e agem como nós.
O fenômeno ganhou o nome de efeito do falso consenso.
E veja que maravilha… além de termos opiniões, ainda temos a generosidade de imaginar que boa parte da humanidade compartilha delas.
O problema é que usamos uma amostra bastante peculiar para chegar a essa conclusão. Nossas experiências, as pessoas com quem convivemos, os ambientes que frequentamos e os conteúdos que consumimos.
Um universo que pode ter sido selecionado justamente porque combina com nossos interesses.
Depois pegamos esse pequeno pedaço da realidade e, com uma confiança estatística digna de investigação, começamos a tirar conclusões sobre o planeta inteiro.
(Convenhamos, começar toda frase com “considerando minha amostra pessoal, limitada e estatisticamente duvidosa...” não ajudaria muito nas conversas.)
Mas há uma consequência mais incômoda nessa história toda...
