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Semana passada tive uma daquelas conversas longas com IA, dessas em que você abre o navegador querendo só algumas ideias e termina, 3 horas depois, diagnosticando padrões que sua própria cabeça vinha enterrando há uma década (recomendo: IAs são absurdamente boas em achar o que a mente humana adora esconder, e eu sou meio viciada em desenterrar essas coisas).

A conversa era sobre negócios, sobre padrões que venho repetindo na vida profissional sem perceber. Em algum ponto, apareceu uma frase que não saiu mais da minha cabeça:

O mercado não remunera potencial. O mercado remunera exposição.

Reli 3 vezes... e na quarta, percebi que essa frase também explicava algo que estava acontecendo em outra área da minha vida que nada tem a ver com negócios.

Como você já sabe eu sou atleta, e esse ano teve um campeonato nacional importante, apenas 6 equipes do Brasil participaram. A equipe da minha cidade não tinha vaga aberta, então não havia espaço pra mim ali. Mas surgiu uma outra equipe, com uam vaga na minha posição, e que teoricamente poderia me incluir.

Teoricamente.

Quando fui olhar, já era tarde. Convidaram outra atleta, que nem era da equipe, mas que aparecia com frequência. Aparecia em campeonatos, nas conversas, nos lugares onde quem decide convocação esbarrava com ela. Eu, do meu canto, treinando, mantendo performance, esperando que alguém me notasse pelo nível técnico. Com aquela fé inabalável de que meritocracia é um sistema funcional.

Bom, já sabemos que não é.

A outra atleta não era melhor, estava acima do peso, não treinava... Mas era mais visível. E visibilidade, (descobri da pior forma possível), é critério de seleção tanto quanto técnica. Às vezes mais.

A frase da conversa com IA voltou com força: o mercado não remunera potencial, remunera exposição. E o campo, funciona pela mesma lógica implacável.

Aí comecei a juntar os pontos.

Quem me acompanha aqui já entendeu o quanto eu sou exigente comigo mesma, o quanto sou apaixonada por conhecimento, por criar, por expandir, por estudar até os olhos embaçarem. E ao longo dos anos, gastei tempo absurdo buscando excelência, disciplina e consistência. Nas duas áreas que mais importam pra mim: profissional e esporte.

Sou boa no que faço. Isso não é vaidade, é constatação olhando o que produzo e entrego.

E mesmo assim, os resultados nunca vieram na proporção da excelência. O reconhecimento no esporte seguiu o mesmo caminho. Dedicação alta, retorno desproporcional.

Eu olhava e não entendia. Achava que o problema era técnico, então estudava mais. Achava que era falta de disciplina, então treinava mais.
Achava que era questão de tempo, então esperava mais.

Não era nenhuma das 3.

A minha estratégia implícita, que eu nunca tinha colocado em palavras até aquela conversa, era essa:

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