Ontem, 18h47, eu travei decidindo entre pedir comida ou cozinhar.
Não foi indecisão. Foi colapso neural.
Eu estava parada na cozinha, porta da geladeira aberta, luz fria batendo no rosto, olhando pro mesmo pote de tomate cereja murchando há três dias. Meu cérebro fazendo cálculos: pedir comida custa dinheiro mas poupa tempo. Cozinhar poupa dinheiro mas custa energia. Energia que eu não tinha. Dinheiro que eu não queria gastar. Loop infinito. Quatro minutos de paralisia computacional olhando tomates moribundos.
Sabe o que eu tinha feito de importante naquele dia?
Nada.
Reuniões sobre reuniões. Emails que geram emails. Decisões microscópicas empilhadas desde o alarme às 5h20. Qual roupa? o que comer? Responder mensagem da minha mãe agora ou fingir que não vi? Cada escolha minúscula arrancando um pedaço de mim que eu não sabia que estava perdendo.
Quando chegou a hora de fazer algo real (escrever, pensar, criar qualquer coisa que valesse a pena) eu estava operando com a capacidade cognitiva de uma batata assada.
Você conhece essa sensação.
Aquele momento em que seu corpo ainda está vivo mas seu cérebro já desligou faz tempo e você só não recebeu o memorando. Você senta pra fazer a coisa importante e é como tentar correr dentro d'água. Movimento lento, resistência absurda, nada sai.
Aí você se culpa.
"Falta de disciplina." "Preciso de mais força de vontade." "Pessoas bem-sucedidas não têm esse problema."
Você está errado. Sobre tudo isso.