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Nessa edição você vai descobrir por que uma princesa grega de 2.500 anos atrás descreveu exatamente o seu (e o meu) problema de hoje, por que seu cérebro foi projetado pra sabotar suas melhores intenções e o que fazer pra parar de perder essa guerra contra você mesmo.

Se você já prometeu que ia começar algo na segunda-feira e segunda virou "mês que vem"... fica até o final.

O ano era 8 depois de Cristo.
Roma fervilhava de poetas tentando impressionar o imperador, e um deles, chamado Ovídio, resolveu escrever um livro com 250 histórias mitológicas sobre transformações. Chamou de Metamorfoses, porque poetas romanos adoravam títulos que soavam inteligentes em festas.

No meio dessas histórias, tem uma sobre uma mulher chamada Medeia.

Ela era princesa de Cólquida. Filha de um rei, sacerdotisa de Hécate.
O tipo de mulher que entrava em uma sala e todo mundo fingia que não estava olhando (mas estava). Poderosa, rica e com futuro garantido.

E completamente a ponto de explodir tudo pelos ares por causa de um homem.

Jasão tinha chegado em Cólquida com uma missão: roubar o Velocino de Ouro. E Medeia, que deveria estar do lado do pai, do reino, da própria história, olhou pra aquele grego de ombros largos e pensou: "Isso não vai terminar bem. Eu sei que não vai terminar bem."

Ela ficava acordada de noite, suando frio, virando de um lado pro outro, calculando as consequências. Se eu ajudar ele, perco meu pai, perco meu reino, perco tudo.
Se eu não ajudar, ele morre... e eu vou passar o resto da vida me perguntando "e se".

O estômago revirava... as mãos tremiam.
Ela sabia, com a clareza de quem já fez a planilha de prós e contras, viu que os contras ganhavam de lavada, e mesmo assim sentiu o corpo inteiro puxando pro lado errado.

E antes de fazer exatamente o que não devia, Medeia solta uma frase que deveria estar emoldurada na parede de todo mundo que já jurou "dessa vez vai ser diferente":

"Video meliora proboque, deteriora sequor."

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