“Ok, você tem razão.”
Semana passada eu quase discuti com meu personal.
Na verdade, “quase” é uma palavra generosa. Eu discuti um pouco, percebi a besteira que estava fazendo e parei antes que meu abdominal virasse figurante daquela conversa.
Quem me acompanha há mais tempo talvez lembre dele. É o mesmo personal da Edição #011, aquele que conseguiu, num intervalo assustadoramente curto, cair 2x de moto, ter o carro roubado e concluir que o universo tinha aberto um setor exclusivo para cuidar da desgraça dele (tudo isso em uma semana).
Pois bem… ele voltou.
Não a cair de moto, felizmente… mas a querer ter razão.
Eu estava tranquila fazendo meu abdominal enquanto ele atendia outra aluna e, não lembro exatamente como, o assunto chegou em coaching.
E então veio aquela opinião que você provavelmente já ouviu no Brasil:
“Coach é tudo 171.”
Segundo ele, coach é gente que não deu certo em nada, então resolveu ensinar os outros a dar.
A certeza veio completa, as fontes não foram apresentadas.
Eu sabia que deveria ficar quieta… sim sabia.
Tinha plena consciência de que entrar naquela conversa seria uma péssima utilização do meu tempo, da minha energia e principalmente, da contração abdominal que eu deveria estar fazendo naquele exato momento.
Mas aparentemente meu ego também treina de manhã. 😒
Então me intrometi:
“Se coaching é essa bobagem toda, por que tantos atletas, CEOs e gente que chegou ao topo usam essa metodologia?”
Pronto.
Meu abdômen perdeu a prioridade.
Começou uma discussão sobre o que era Coach, o que era treinador, o que era mentor, o que a palavra significava em inglês, o que virou no Brasil...🤦♀️
E quanto mais eu tentava trazer exemplos, mais ele se exaltava.
Eu citava alguém…
Ele explicava por que aquele alguém não contava.
Eu tentava separar a metodologia dos picaretas que usam o nome dela…
Ele explicava por que isso também não contava.
Em algum momento, já não havia mais uma conversa. Havia duas pessoas reunindo argumentos enquanto uma terceira, provavelmente, só queria terminar o treino dela e ir embora.
Até que ele me olhou e disse:
“Você é inteligente demais para acreditar nisso.”
Eu respirei… pensei:
“E você é inteligente demais para não olhar as evidências.”
Mas não falei.
Primeiro porque eu já tinha me arrependido profundamente de ter aberto a boca.
Segundo porque aquela discussão estava usando uma quantidade de energia que, francamente, meu abdômen merecia mais.
Então respondi:
“Ok. Você tem razão.”
Coloquei o fone novamente no ouvido e voltei para o exercício.
Só teve um problema…
Ele percebeu que eu não achava que ele tinha razão.
Eu só tinha encerrado a discussão.
E isso, aparentemente, conseguiu deixá-lo ainda mais incomodado.
Foi atender outro aluno e de vez em quando me olhava meio torto.
Achei engraçado…. até ir para casa.
Porque aí a história ficou bem menos engraçada para mim.
