Três meses atrás, uma terça-feira às 20h47.

Eu estava sentada na cama com um livro aberto sobre storytelling (a arte de contar histórias) de um autor chamado Chuck Palahniuk.
Celular em modo avião, um copo de água gelada no criado mudo... condições perfeitas.

Li a página 47 inteira.

Cheguei no final do último parágrafo e percebi que não fazia a menor ideia do que eu tinha acabado de ler. As palavras tinham passado pelos meus olhos como água passando por uma peneira. Presente, visível, e completamente perdida.

Ok, voltei pro começo da página.

Segunda tentativa. 🤦‍♀️🤦‍♀️

No meio do segundo parágrafo, tive um insight com uma citação do livro e minha cabeça já foi para um futuro próximo, anos à frente, onde aquele insight me transformou em uma milionária bonitona e chique, saindo da sua Lamborghini Urus branca… rs.

Ta voltei… terceira tentativa. 🤦‍♀️🤦‍♀️🤦‍♀️

Quarto parágrafo. Meus olhos continuavam passando pelas palavras, mas meu cérebro estava planejando um projeto que nem tinha saído do papel ainda, calculando o orçamento, imaginando uma conversa que provavelmente nunca ia acontecer.

Fechei o livro com uma irritação típica de quem é contrariado e adora brigar pra ter razão.

Olhei pra capa e falei em voz alta, sozinha, no silêncio do meu quarto:

"Que merda é essa que tá acontecendo comigo?"

O diagnóstico que eu não queria ouvir

Eu sempre fui viciada em aprender.

O tipo de pessoa que compra livros mais rápido do que consegue ler. Que compra cursos porque "esse vai mudar meu negócio". Que baixa podcasts sobre neurociência pra ouvir enquanto lava louça. O tipo de pessoa irritante que genuinamente acha divertido estudar.

Mas algo tinha mudado.

Eu não sabia identificar quando. Não foi um evento, não foi um trauma… Foi como engordar cinco quilos: você não percebe acontecendo, só percebe quando a calça não fecha mais.

Meu cérebro tinha virado um navegador com 47 abas abertas. Todas tocando música diferente. Nenhuma carregando completamente.

Eu começava a pensar em algo… vinte segundos depois, outro pensamento. Dez segundos depois, outro. Sete pensamentos à frente, eu não lembrava mais qual foi o primeiro, como tinha iniciado aquela cadeia e como eu tinha chegado ali.

Sentava pra escrever um texto. Abria quatro abas "só pra ler pesquisas de referência". Quarenta minutos depois, estava vendo um vídeo de como despertar a Kundalini no youtube. Sem saber como cheguei ali. Sem ter escrito uma linha sequer.

Vida de copywriter autônomo significa múltiplos trabalhos, múltiplos nichos, múltiplas demandas simultâneas gritando por atenção. Mas não era só isso.

Eu sentia meu próprio pensamento escorregando. Como tentar segurar sabão molhado.

Ansiedade é uma merda. 🙄

Mas o pior não era a ansiedade.

O pior era normalizar. Achar que "todo mundo é assim". Que "faz parte". Que "é coisa do mundo moderno". Que "a gente se adapta".

Não.

Você não nasceu assim.

Você foi treinado pra ficar assim.

O hack que você não pediu pra receber

Seu cérebro não foi projetado pra funcionar dessa forma.

Ele foi hackeado.

Sistematicamente. Deliberadamente. Por design.

Cada scroll infinito… cada notificação a cada 30 segundos… cada recompensa imediata... cada dopamina barata entregue sem nenhum esforço, o dia inteiro, todos os dias, por anos.

O algoritmo não quer que você pense. Quer que você role. Quanto mais rápido, mais superficial, mais fragmentado, mais lucrativo.

E depois de anos nesse regime, seu cérebro desaprendeu o básico: sustentar um único pensamento por 90 segundos consecutivos.

Você foi condicionado.

A boa notícia: dá pra reverter.

A má notícia: quase ninguém vai fazer o que é necessário.

Aqui vem o soco no estômago

Você lembra da última vez que teve uma ideia original?

Não uma ideia que viu no Reels e achou legal. Uma ideia que nasceu da sua própria cabeça. Um insight que surgiu do nada. Uma conexão que você fez sozinho, sem algoritmo entregando de bandeja.

Provavelmente não lembra. 🥴

Porque pensamento original exige silêncio. Exige espaço. Exige tempo sem estímulo.
E você não tem nenhum dos três há quanto tempo?

Você consegue ficar 20 minutos sem pegar o celular?

10?

5?

Consegue sentar num restaurante esperando alguém chegar e simplesmente... esperar? Olhar pela janela? Deixar a mente vagar? Ou a mão já vai automaticamente pro bolso, porque o desconforto de ficar sozinho com seus próprios pensamentos se tornou insuportável?

Você virou refém de um pedaço de metal e vidro que cabe na palma da sua mão.

E o mais triste: você sabe disso.

Você sabe que tá errado. Sabe que tá te prejudicando. Sabe que tá perdendo alguma coisa importante.

Mas não consegue parar.

Porque seu cérebro foi reconfigurado pra precisar daquilo como um viciado precisa da próxima dose.

E enquanto você não admitir isso, nada muda.

A coisa mais simples que mudou tudo

Eu decidi não rolava mais continuar naquele limbo mental e precisava fazer alguma coisa.

Não mais um curso sobre produtividade que eu ia assistir pela metade. Não mais um livro sobre foco que eu ia abandonar na página 47. Não mais um app de meditação que eu ia usar por três dias e esquecer.

Decidi escrever.

Não um diário raso. Não "querido diário, hoje o dia foi legal". Não lista de gratidão porque vi no TikTok que funciona.

Decidi mapear meus dias com profundidade cirúrgica.

O que aconteceu? Como eu reagi? A decisão foi racional ou emocional? Quais emoções senti? Em que momento? Por qual motivo? O que eu estava evitando sentir? O que eu fingi não ver? Onde menti pra mim mesma?

E aqui vem a parte mais interessante: eu escrevi tudo à mão.

Por um motivo simples…

A ciência que seu feed não mostra

Em 2024, pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia fizeram um estudo usando EEG de alta densidade pra medir atividade cerebral. Colocaram 36 estudantes universitários pra escrever palavras à mão e depois digitar as mesmas palavras no teclado.

Os resultados?

Quando escreviam à mão, os cérebros mostravam conectividade aumentada, especificamente em bandas de frequência baixa chamadas alfa e theta. (Science New)
Não só nas áreas motoras esperadas pelo movimento, mas em regiões associadas com aprendizado e memória.

Ondas theta são a "cola que une" pedaços de informação sensorial e, portanto, nossas memórias. (Psychology Today)

"Seus dedos têm que fazer algo diferente para produzir uma letra reconhecível", explica Sophia Vinci-Booher, neurocientista educacional de Vanderbilt. Cada letra exige uma sequência única de movimentos. Digitar usa o mesmo movimento pra qualquer caractere.

Traduzindo: quando você escreve à mão, seu cérebro trabalha mais, processa mais, conecta mais e lembra mais.

Quando você digita, seu cérebro basicamente entra em modo passageiro. Presente, mas ausente.

É por isso que você consegue digitar uma mensagem inteira enquanto pensa em outra coisa. E é por isso que você não consegue fazer isso escrevendo à mão.

A caneta força presença.

O protocolo transformador

Todo dia, antes de dormir pegava o caderno… data no topo…. caneta na mão…

E lenha.

Escrevia até a mão doer. Escrevia até não ter mais o que esconder de mim mesma. Escrevia coisas que nunca contaria pra ninguém, coisas que me davam vergonha de ler no dia seguinte, coisas que revelavam uma pessoa que eu não queria ser mas claramente era.

A cada sete dias eu fazia um balanço. Relia tudo, observava padrões, o que se repetia, o que surpreendia e o que eu preferia não ter visto.

Três meses repetindo, criando um hábito.

O que mudou?

Percebi gatilhos emocionais que eu nem sabia que existiam.

Padrões de comportamento se repetindo há anos sem eu notar.

Decisões que eu jurava serem racionais mas eram pura reação automática disfarçada de lógica.

A memória ficou afiada...

A concentração tava linda…

Aquela sensação de que meu cérebro estava funcionando como deveria? Voltou.

Lembra a edição sobre os marombas da academia, quando quase caí na raiva e em vez disso busquei soluções? Fruto direto desse exercício. Três meses atrás eu teria explodido primeiro e pensado depois. Agora eu vejo o padrão se formando antes dele me dominar.

Não é mágica.

É hábito.

É olhar pro espelho quando você prefere não olhar.

Parece simples demais não é?

Escrever num caderno? Em 2026? Com tanta tecnologia disponível? Com tanto app prometendo resolver exatamente esse problema de forma mais eficiente, mais gamificada, mais Instagramável?

Exatamente.

Enquanto todo mundo busca o app perfeito, o método revolucionário, o atalho que não existe, o básico fica abandonado.

E o básico é isso: você não conhece seus próprios padrões. Não sabe por que reage do jeito que reage. Não entende por que toma as mesmas decisões ruins repetidamente. Não percebe o que evita sentir.

Sem essa clareza, você é passageiro do seu próprio cérebro.

Acha que tá dirigindo, mas tá no banco de trás sendo levado.

E vai continuar sendo levado até decidir que quer dirigir.

O desafio

Foi tão bom que eu organizei esse processo em um desafio de 7 dias.

Uma hora por dia. Exercícios específicos de escrita reflexiva profunda que forçam você a olhar onde prefere não olhar.

Padrões automáticos, emoções evitadas, decisões contraditórias, gatilhos invisíveis...
Tudo que opera no piloto automático enquanto você acha que tá no controle.

No final, você vai ter mais clareza sobre si mesmo do que 90% das pessoas terão a vida inteira.

Não porque é difícil.

Porque exige uma coisa que quase ninguém aguenta: honestidade consigo mesmo.

No final, você vai entender por que repete os mesmos erros. Por que reage do jeito que reage. Por que sabe o que deveria fazer e não faz..

Se fizer sentido pra você e quiser mais detalhes, o link está abaixo.

P.S.: Você pode continuar achando que "todo mundo é assim". Que foco fragmentado é o novo normal... que não tem jeito... que é coisa da geração…. pode! Só não reclama daqui a cinco anos quando perceber que não consegue mais sustentar um pensamento complexo por dois minutos seguidos. Que não consegue mais ler um livro inteiro. Que não consegue mais ter uma conversa profunda sem o celular na mão. Cérebro é músculo. Se você só treina scrollar, só vai saber scrollar.

Abraço

Cris
Alquimista do Caos

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